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14 de fevereiro de 2020 0

O coronavírus é um vírus de uma família que conhecemos desde a década de 60. Com estruturas que se assemelham a coroas (daí o nome coronavírus), anteriormente sabia-se de relatos apenas em animais; porém em 2002, houve os primeiros casos de transmissão de animais para humanos, através de gatos selvagens, que gerou a grave epidemia SARS (síndrome respiratória aguda grave), também na China.

Em 2006, na Arábia Saudita, houve a MERS (síndrome respiratória do médio oriente), com transmissão de dromedários para humanos.

Desta vez, em 2019, houve a contaminação em Wuhan/China, em um mercado a céu aberto com vários animais, e acredita-se que com transmissão de cobras infectadas para ser humano, e, posteriormente, com transmissibilidade de pessoas para pessoas.

Este outro vírus (dessa mesma família), o coronavírus Covid-19, vem demonstrando uma alta taxa de contágio, com números de infectados que não param de aumentar, porém, principalmente na região do foco/início da doença, já que mais de 95% dos relatos de casos confirmados, encontram-se na China.

Atualizando os dados mundiais, até o último levantamento em 14/02/2020, com pouco mais de 65mil casos confirmados e 1.384 mortes (manteve-se a letalidade por volta dos 2%).

Isso quer dizer que, apesar de ser transmitida com facilidade, este vírus não mata tanto quanto outras doenças conhecidas do nosso dia-dia, como pneumonia – 3a maior causa de morte no mundo, como a asma – que mata por volta de 5 pessoas por dia no Brasil, e até como o outro comum vírus da Influenza, responsável pela Gripe, que chega a mortalidade de até 20% quando o paciente tem necessidade de internação hospitalar.

Tais fatos servem, principalmente, para abrir os olhos da população sobre as doenças do nosso dia-dia, e não causar alarde ou pânico com este novo coronavírus, já que, apesar do temor por não ter vacina e nem mesmo um tratamento específico (apenas sintomáticos, internação hospitalar quando for o caso, e até suporte UTI em alguns casos), verifica-se que os casos com desfechos fatais ocorreram predominantemente na China, e, na sua grande maioria, acometendo idosos já com problemas de saúde previamente conhecidos.

Sobre o Coronavírus no Brasil, até a atualização de 14/02/2020, permanecemos sem registro do novo coronavírus, que já atinge 24 países além da China.

Caiu para 6 casos suspeitos em investigação e sendo monitorados no nosso país (em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul). Até o momento, 40 casos foram descartados em todo o Brasil, que permanece sem registro da doença.

Todas as notificações foram recebidas, avaliadas e discutidas com especialistas do Ministério da Saúde, caso a caso, junto com as autoridades de saúde dos estados e municípios. Esses descartes aconteceram, principalmente, por causa do resultado positivo para outros vírus respiratórios.

Quanto aos envolvidos na missão de trazer os brasileiros que estavam em Wuhan, epicentro da epidemia na China, mesmo sem sintomas, os 58 envolvidos nesta missão, entre repatriados e equipe de apoio, fizeram exames específicos para a infecção, que tiveram resultados negativos.

Os 34 repatriados e os 24 profissionais, divididos entre tripulação, Ministério da Saúde e comunicação, foram submetidos a exames, mesmo sem sintomas e sem infecção. A ação faz parte do protocolo definido entre os Ministérios da Saúde e Defesa.

Tais informações e dados servem para deixar sim a população alerta, porém sem desespero, devendo seguir as orientações a seguir, e sempre cuidado com as famosas fake news, com tantas informações sensacionalistas e tratamento dito milagrosos.

Qual a gravidade da doença?

– Pode causar complicações com doenças respiratórias, como pneumonia, insuficiência respiratória, necessidade de hospitalização, suporte de UTI, até, em casos mais graves, necessidade de intubação com ventilação mecânica, com possível desfecho fatal, com óbito da pessoa infectada;

– Quando apresenta sintomas, podem ser graves, mas nem sempre são sintomáticos;

– É mais grave, com potencial de desfecho desfavorável em pessoas que já têm alguma doença de base, e, principalmente, em idosos.

Comprei um produto da China, pode vir infectado?

– Não, pois o vírus não consegue ficar por tanto tempo vivo. Uma preocupação sim é com corrimão, maçanetas e afins, já que ao tossir com as mãos na boca, as secreções respiratórias podem ficar nestes locais, e a próxima pessoa que aí encostar, pode ser contaminada.

Como é realizada a contaminação do coronavírus?

– Entre os humanos a transmissão do vírus pode ocorrer pelo contato físico com a pessoa infectada ou secreções, através da passagem destas secreções respiratórias, como: tosse e espirros, que levam saliva e catarro para o contado com objetos recém manejados pela pessoa contaminada e na sequência levar a mão aos olhos, nariz ou boca.

Quando suspeitar que é coronavírus?

– Quando há sintomas semelhantes aos da gripe, como sintomas nasais, exemplos, coriza no nariz e espirro. Além de febre, tosse, falta de ar, dificuldade para respirar, podendo chegar a até se tornar pneumonia em casos mais graves quando atinge os pulmões, algumas vezes, sendo encaminhadas para a UTI.

Contudo, vale lembrar que têm algumas pessoas que são assintomáticas, ou seja, não apresentam sintomas, estas, geralmente, não denotam gravidade.

Para suspeitar do coronavírus, é importantíssimo associar tais sintomas ao contato com alguém que esteve na China nas últimas 2 semanas, ou mesmo a pessoa com os sintomas, que esteve por lá, neste tempo de 14 dias. Caso contrário, podemos pensar que tais sintomas respiratórios podem ser devidos contaminação por outros vírus comuns ao nosso país (resfriado, gripe, etc).

Como se prevenir do coronavírus?

  • Ao tossir tampar a boca, preferencialmente com o braço ou lenço;
  • Se tossir e colocar a mão na boca, não esquecer fazer a higienização (álcool gel ou lavar as mãos);
  • Evitar locais aglomerados;
  • Evitar contato com quem viajou para China e tem esses sintomas.
  • Importantíssimo, quem viajou para China, e tiver tais sintomas, deve procurar o médico.

Além disso, o Ministério da Saúde, recomenda:

– Lavar sempre bem as mãos, com sabão, inclusive antes das refeições;

– Utilizar lenço descartável para limpar o nariz;

– Evitar tocar mucosa dos olhos, boca ou nariz;

– Não compartilhar objetos de uso pessoal, como toalhas e talheres;

– Manter o ambiente sempre ventilado.

Lembrete:

Sempre se atente aos sinais e qualquer suspeita é muito importante procurar por um médico urgente para tratamento.

Além disso, vale sempre ressaltar que se deve se apropriar dos cuidados no dia a dia de prevenção, já que, como já orientado anteriormente, o vírus da Influenza está presente no nosso dia-dia, e necessita de vacinação anual, principalmente para crianças, idosos e quem tem doenças crônicas (hipertensão, diabetes, DPOC, asma).

Na dúvida sempre fale com seu médico. Para agendar uma consulta com Pneumologista, clique aqui.

Fonte de dados: Ministério da Saúde e Instituto John Hopkins (mapeamento Coronavírus no mundo).

Dr. Rodrigo Santiago - Pneumologista

Dr. Rodrigo Santiago

Pneumologista e membro do Corpo Clínico da Clínica Fares

CRM 129870